Os Sapatos de Aristeu

por René Guerra, 03.02.2014

 

De tempos em tempos ouço a pergunta “Por que exatamente esse universo?”, “Por que falar sobre essas pessoas?”, “Por que você se envolve tanto com essa gente?”. Meu racional está treinado para responder, eu sei o porquê, mas é estranho identificar que meu sentimento é exatamente o contrário daquele sentimento que impulsionou a pessoa que me perguntou. Isso eu percebo de imediato, não falar sobre esse universo é manter todos os clichês e todas as sombras sobre ele muito bem guardadas, como aquele ódio muito bem cultivado, ou aquele medo do desconhecido; é o medo, esse ninguém escapa, todos sentem medo, inclusive elas. Mas o medo pode gerar muitos outros sentimentos, o medo, quando alimentado, desumaniza o outro para na guerra poder executar o inimigo. Como então eu poderia matar se eu descobrisse que o meu inimigo é igual a mim? Esse exercício de alteridade é o que o medo impede que seja feito. O outro merece ser destruído, o outro merece ser extinto, porque o outro não sou eu.

 

Hoje as travestis não são mais o meu outro, que eu me aproximei, me quebrei, me reparti e me refiz, nem todo mundo consegue fazer isso comigo, me melhorar, me refazer. Elas fizeram isso comigo porque são as minhas heroínas, defendendo que todos somos uma construção.

 

Então eu fiz esse filme. Construí através delas uma poesia sobre amor, reparação e perdão. Seu corpo não fala mais,  não gesticula mais, ele apenas se deixa disposto, para que se possível, exista uma possibilidade de mudança dentro de cada um, que cada um perceba que somos iguais em algum lugar, talvez no ultimo momento da nossa existência. Talvez  só ali, no momento de enfrentar a morte, essa ideia de que o outro também sou eu, ali inerte e disposto para mim, possa humildemente dizer que não precisamos ter mais medo. É por não dizermos o que temos a dizer, é por não fecharmos os nossos círculos, que a morte para nós ocidentais é algo tão sem sentido, é o que me lembro do que escreveu Octavio Paz.

 

 

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